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04/03/2008 - Sucesso ou Fracasso na Micro e Pequena Empresa
No Brasil de hoje, as microempresas e empresas de pequeno porte representam 99% das empresas em operação. Elas respondem por 54,6% dos empregos no país e 20% do Produto Interno Bruto, de acordo com o IBGE e o DNRC - Dep. Nacional de Registro do Comércio. Ocorre que uma ME ou uma EPP surge da idéia ou da necessidade de sobrevivência de muitas pessoas desempregadas ou que não querem mais se sujeitar a ser empregado de outro. Poucos são os casos em que uma empresa é montada e planejada para atender ou investir numa oportunidade. Esta é uma das razões pelas quais a taxa de mortalidade nas empresas é tão alta. Na realidade existem muito mais fatores responsáveis pela mortalidade das empresas do que pela sua continuidade e seu crescimento. Tanto do lado do empresário, como do lado do governo com o fraco apoio, a alta burocracia, os altos custos da formalização. As falhas gerenciais, por sua vez, podem ser relacionadas à falta de planejamento na abertura do negócio, levando o empresário a não avaliar de forma correta, previamente, dados importantes para o sucesso do empreendimento, como a existência de concorrência nas proximidades do ponto escolhido, a presença potencial de consumidores, dentre outros fatores. O que é uma ME ou EPP? A classificação de porte pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, diz:- ME: aquela que tem faturamento anual de até R$ 240.000,00.- EPP: a que fatura até R$ 2.400.000,00. A classificação de porte de empresa adotada pelo BNDES e aplicável à indústria, comércio e serviços, conforme a Carta Circular nº 64/02, de 14 de outubro de 2002, é a seguinte:-ME: receita operacional bruta anual até R$ 1.200.000.- EPP: receita operacional bruta anual superior a R$ 1.200.000 até R$ 10.500.000.Segundo o Sebrae, o critério escolhido para a classificação do porte de empresas utiliza o número de empregados:- ME: com até 19 empregados na indústria e até 9 no comércio e no setor de serviços;- EPP: possuem, na indústria, de 20 a 99 empregados e 10 a 49 no comércio e serviços. Pode-se deduzir daí que não existe uma grande preocupação por parte do Executivo/Legislativo com o maior segmento empregador do Brasil. Ao mesmo tempo, como se trata de empresas pequenas, cujos proprietários são os “faz-de-tudo” no dia a dia, os mesmos não se organizam ou se reúnem sistematicamente para reclamar maiores direitos. Algumas iniciativas importantes por parte dos empresários como sindicalização participativa, são deixadas de lado, em troca da atenção integral exigida pelo seu negócio. E é justamente através da organização, da informação, do conhecimento é que surgem as oportunidades de manutenção e crescimento das empresas. Com o objetivo de agrupar, incentivar e discutir as melhores políticas e alternativas, foi instituído pela FIEP (www.fiep.org.br) o COMPEM - Conselho Temático da Micro Pequena e Média Indústria, que tem procurado fomentar o desenvolvimento das micro, pequenas e médias indústrias do Estado, conscientizando o industrial sobre os efeitos da modernização da economia sobre suas empresas. As reuniões proporcionam ao industrial a possibilidade de expor as inúmeras dificuldades encontradas pelo setor, para através da troca de experiências, chegarem a um consenso sobre as possíveis soluções que melhor possam atender suas necessidades.Outro exemplo importante que faz a diferença para as MPE, é o Sebrae (www.sebraepr.com.br). O Sebrae - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas é uma instituição técnica de apoio ao desenvolvimento da atividade empresarial de pequeno porte. O Sistema Sebrae está presente em mais de 600 pontos de atendimento em todo o Brasil. O Sebrae realiza constantemente pesquisas nacionais. A seguir, iremos ver alguns dados do primeiro trimestre de 2004, para a avaliação das taxas de mortalidade das micro e pequenas empresas brasileiras e os fatores causais da mortalidade, consolidadas para o Brasil e as cinco regiões, referentes às empresas constituídas e registradas nos anos de 2000, 2001 e 2002, com base em dados cadastrais das Juntas Comerciais Estaduais. Foram levantados dados e informações de empresas extintas e em atividade, cujos resultados são importantes para subsidiar o Sistema SEBRAE e os formuladores de políticas públicas no planejamento de ações e programas de apoio às MPE, especialmente levando-se em conta que são constituídas no Brasil, anualmente, em torno de 470 mil novas empresas. As taxas de mortalidade consolidadas para o Brasil são as seguintes:• 49,4% para as empresas com até 2 anos de existência (2002);• 56,4% para as empresas com até 3 anos de existência (2001);• 59,9% para as empresas com até 4 anos de existência (2000). E por que a taxa de mortalidade é tão alta? Uma parcela dos empresários que encerraram as atividades da empresa foi entrevistada pela pesquisa, possibilitando a avaliação das principais causas da mortalidade precoce das empresas. Foram apresentadas doze questões para escolha dos entrevistados, associadas às dificuldades na condução dos negócios. As questões foram agrupadas, na análise a seguir, segundo as características comuns que apresentam. Na opinião dos empresários que encerraram as atividades, conforme se observa na tabela, encontram-se em primeiro lugar entre as causas do fracasso questões relacionadas a falhas gerenciais na condução dos negócios, expressas nas razões: falta de capital de giro (indicando descontrole de fluxo de caixa), problemas financeiros (situação de alto endividamento), ponto inadequado (falhas no planejamento inicial) e falta de conhecimentos gerenciais. Em segundo lugar, predominam as causas econômicas conjunturais, como falta de clientes, maus pagadores e recessão econômica no País, sendo que o fator “falta de clientes” pressupõe, também, falhas no planejamento inicial da empresa. Outra causa indicada, com 14% de citações, refere-se à falta de crédito bancário. (As questões permitiam múltiplas respostas). | Tabela 1 - Causas das dificuldades e razões para o fechamento das empresas | | Categorias | Ranking | Dificuldades/Razões | % de Empresários que responderam | | Falhas Gerenciais | 1º | Falta de capital de giro | 42% | | 3º | Problemas financeiros | 21% | | 8º | Ponto/local inadequado | 8% | | 9º | Falta de conhecimentos gerenciais | 7% | | Causas Econômicas Conjunturais | 2º | Falta de clientes | 25% | | 4º | Maus pagadores | 16% | | 6º | Recessão econômica do país | 14% | | Logística Operacional | 12º | Instalações inadequadas | 3% | | 11º | Falta de mão de obra qualificada | 5% | | Políticas Públicas de Arcabouço Legal | 5º | Falta de crédito bancário | 14% | | 10º | Problemas com a fiscalização | 6% | | 13º | Carga tributária elevada | 1% | | 7º | Outra razão | 14% |
As respostas acima se originaram de perguntas estimuladas, ou seja, foram previamente listadas para os empresários para sua escolha e indicação. Os dados da pesquisa permitem concluir, reunindo respostas estimuladas e espontâneas, que as causas da alta mortalidade das empresas no Brasil estão fortemente relacionadas, em primeiro lugar, a falhas gerenciais na condução dos negócios, seguida de causas econômicas conjunturais e tributação. As falhas gerenciais, por sua vez, podem ser relacionadas à falta de planejamento na abertura do negócio, levando o empresário a não avaliar de forma correta, previamente, dados importantes para o sucesso do empreendimento, como a existência de concorrência nas proximidades do ponto escolhido, a presença potencial de consumidores, dentre outros fatores. Fatores de Sucesso Para o melhor entendimento, os fatores de sucesso apontados pelos empresários foram agrupados segundo três características comuns: 1) habilidades gerenciais; 2) capacidade empreendedora; e 3) logística operacional.1. Os primeiros dois fatores apontados integram as chamadas Habilidades Gerenciais, que refletem a preparação do empresário para interagir com o mercado em que atua e a competência para bem conduzir o seu negócio. A tabela 2 mostra os dois fatores, com a informação sobre o percentual de empresários que responderam a cada um deles (as questões admitiam mais de uma resposta): | Tabela 2 - Fatores condicionantes do sucesso segundo as Habilidades Gerenciais | | Categoria | Fatores de Sucesso | % de Empresários | | Habilidades Gerenciais | Bom conhecimento do mercado onde atua | 49% | | Boa estratégia de vendas | 48% |
Os fatores acima foram considerados os mais importantes entre todas as indicações dos empresários sobre os condicionantes de sucesso nos negócios, alcançando 49% e 48% de respostas. Eles indicam que, para se obter o sucesso nas vendas, o empresário deve ter bom conhecimento do mercado, que pode ser traduzido em alguns aspectos fundamentais da condução dos negócios, como, por exemplo, conhecer a clientela potencial e quais produtos eles procuram, avaliar e procurar as melhores fontes para a aquisição dos bens para a formação do estoque da empresa, entre outros. Ademais, como indica o segundo fator, o empresário deve ter conhecimentos sobre a melhor forma de colocar os produtos à venda, envolvendo diversos quesitos, como a definição de preços de comercialização compatíveis com o perfil do mercado, estratégias de promoções das mercadorias e serviços, marketing etc.2. Um segundo conjunto de fatores, representando uma importante condicionante no sucesso do empresário, foi reunido na categoria Capacidade Empreendedora, formando um grupo de atributos que destacam a criatividade, a perseverança e a coragem de assumir riscos no negócio, conforme Tabela 3: | Tabela 3 – Fatores condicionantes de sucesso, segundo a Capacidade Empreendedora | | Categoria | Fatores de Sucesso | % de Empresários | | Capacidade Empreendedora | Criatividade do empresário | 31% | | Aproveitamento das oportunidades de negócios | 29% | | Empresário com perseverança | 28% | | Capacidade de liderança | 25% |
Os fatores de sucesso nessa categoria refletem a disposição e a capacidade empresarial para comandar o empreendimento, permitindo, por meio de habilidades naturais, descobrir as melhores oportunidades de negócios, assumir os riscos envolvidos no investimento de recursos financeiros e humanos em uma nova empresa e conduzir os negócios em meio a adversidades e dificuldades que surgem no dia-a-dia empresarial. As habilidades relativas à capacidade empreendedora não podem ser adquiridas, sendo possível, contudo, seu aprimoramento com novos conhecimentos e técnicas de liderança e de gestão.3. O terceiro conjunto de fatores determinantes do sucesso representa a Logística Operacional do empresário, fornecendo as bases para a criação, sustentação e crescimento da atividade empresarial, conforme mostra a tabela 4: | Tabela 4 – Fatores condicionantes de sucesso segundo a Logística Operacional | | Categoria | Fatores de Sucesso | % de Empresários | | Logística Operacional | Escolha de um bom administrador | 31% | | Uso de capital próprio | 29% | | Reinvestimento dos lucros na empresa | 23% | | Acesso a novas tecnologias | 17% |
Os pontos indicados representam a capacidade do empresário de utilizar de forma eficiente alguns dos mais importantes fatores de produção utilizados na atividade empresarial, ou seja, o capital, o trabalho especializado, e recursos tecnológicos disponíveis, reunindo-os na atividade produtiva ou comercial da empresa para o obtenção dos melhores resultados. Os percentuais de empresários que consideraram os fatores relacionados à logística operacional como sendo importantes para o sucesso dos negócios encontram-se pouco abaixo dos que responderam a respeito da importância da habilidade capacidade empreendedora. Pode-se concluir, com os resultados das respostas às três categorias de fatores considerados importantes para o sucesso nos negócios, que os fatores relativos às habilidades gerenciais ocupam lugar de destaque entre os condicionantes do sucesso empresarial, seguidos da capacidade empreendedora e da logística operacional. Premiando o Sucesso Com o objetivo de reconhecer os esforços das micro e pequenas empresas na aplicação de tecnologias e métodos de gestão, por iniciativa do Grupo Gerdau, Sebrae e IBQP-MPC e com o apoio do MBC, FIEP, SEIM, FECOMERCIO-PR e FACIAP; vem sendo realizado no Brasil e no Paraná o Prêmio Sucesso Empresarial (www.premiosucesso.com.br), nas categorias Indústria, Comércio, Serviço, Turismo, Agroindústria, Destaque Empresa Cidadã e Destaque Gestão Design e Inovação. A Forplas Fábrica de Escadas participou da edição de 2005, ficando como finalista, e sendo vencedora na categoria Indústria na edição de 2006. O grande ganho da empresa e seus colaboradores, foi ter preenchido um questionário sobre o sistema de gestão da empresa, o que representou um verdadeiro “pente fino”, de todas as atividades da organização. O resultado apareceu através de melhores controles, maior confiabilidade nos sistemas, participação das pessoas, planejamento e novas metas a serem alcançadas. “A Forplas é uma empresa que produz escadas desde 1956, e se insere na categoria EPP, produzindo e distribuindo escadas de madeira, fibra de vidro e alumínio”. Norbert Adolf Heinze, Engenheiro Mecânico com pós-graduação em Administração de Empresas. Coordenador do Conselho Temático da Micro, Pequena e Média Indústria do Paraná – COMPEM. Diretor da Forplas Fábrica de Escadas Ltda.
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